Histórico

O Festival do Teatro Brasileiro começou a ser desenhado em 1997, quando a Alecrim Produções Artísticas iniciou sua produção em Brasília com espetáculos de grupos da Bahia. A experiência mostrou que o teatro baiano oferecia peças teatrais de excelência, com diferentes linguagens, que poderiam compor uma mostra.

 

A primeira edição da Mostra de Teatro da Bahia foi realizada em 1999. Os resultados alcançados levaram à realização da segunda edição no ano seguinte. Cada edição contou com a participação de quatro espetáculos. Com um intervalo de dois anos, o projeto alcançou importante grau de amadurecimento, passando a se chamar Festival do Teatro Brasileiro (FTB) para que pudesse propor o intercâmbio para outros estados. Naquele ano, o foco ainda foi a Bahia e se chamou FTB – Cena Baiana, quando foram apresentados oito espetáculos. Destacaram-se nessas primeiras edições a participação do então promissor ator Wagner Moura; e das atrizes Rita Assemany, com o espetáculo Oficina Condensada, e Nilda Spencer, grande nome do teatro brasileiro.

 

Em 2003, foi a vez do FTB – Cena Pernambucana, com a apresentação de sete espetáculos. Nesse momento, o Festival deu um novo passo, acrescentando à programação apresentações de rua; além do deslocamento de algumas apresentações para as cidades do entorno e a realização de oficinas de qualificação profissional. Foram destaques naquela edição o Grupo Piane, com o espetáculo “Ditirambos”, e, Geninha da Rosa Borges, veterana do Teatro Pernambucano.

 

Dois anos depois, foi a vez da Cena Mineira com oito espetáculos. Mais uma vez o projeto inovou com a realização de oficinas de média duração. Uma de construção de instrumentos e transmissão de ritmos da cultura musical popular para 180 jovens em situação de vulnerabilidade; e outra para três jovens grupos de Brasília, com 240 horas de trabalho, coordenada por Chico Pelúcio, ator do grupo Galpão.

 

Em 2007, o projeto ocorreu pela primeira vez fora do Distrito Federal. Iniciava em 12 de janeiro, o FTB- Cena Mineira no Rio de Janeiro, mesma data em que estreavam outras 22 produções teatrais na Cidade Maravilhosa, vitrine do teatro brasileiro. Apesar da forte concorrência, os resultados não poderiam ter sido melhores. A taxa de ocupação em todas as sessões foi superior a 90%; as apresentações de rua empolgaram a platéia; e a mídia deu amplo destaque, o que comprovou o potencial do projeto.

 

A oitava edição do Festival do Teatro Brasileiro ocorreu no primeiro semestre de 2009, com o intercâmbio entre o teatro pernambucano e os cenários da Bahia e Sergipe, mobilizando cerca de 16.000 espectadores para as 40 apresentações. No mesmo ano o FTB realizou sua nona etapa, com a Cena Baiana sendo apresentada nos estados do Ceará e Maranhão. Ao todo foram 17 espetáculos vistos por quase 20 mil pessoas.

 

A décima edição do Festival, com a apresentação da Cena Cearense em MG e ES teve, nas suas 76 ações, um público superior a 16.000 pessoas. As 30 apresentações e 03 exibições de Vídeo-Dança realizadas em Belo Horizonte, Betim e Sabará, mobilizaram, um público de 6.129 pessoas.

 

Em 2011 foi a vez dos gaúchos, paranaenses e paulistas receberem a Cena Mineira. No Paraná as apresentações aconteceram em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa. O projeto, nas suas 111 ações, teve um público superior a 24 mil pessoas. 18 espetáculos de 15 diferentes grupos e coletivos mineiros apresentaram seus espetáculos 86 vezes. 61 apresentações foram realizadas em teatros nas cidades de Campinas, Paulínia, Sorocaba, Curitiba, Ponta Grossa, Araucária, Porto Alegre, Caxias do Sul e Novo Hamburgo com cobrança de ingressos a R$ 5,00 a meia-entrada e R$ 10,00 a inteira. Foram 25 apresentações de rua, gratuitas,  para um público de 5.735 pessoas. Foram realizados 10 bate papos entre público e plateia após as apresentações.

 

Os espetáculos “O Negro, A Flor e o Rosário” e “ Don João e a Invenção do Brasil” foram apresentados 6 vezes exclusivamente para 7 mil alunos das redes públicas de ensino de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.  33 profissionais entre coordenadores pedagógicos e arte educadores mantiveram contato com os alunos com o intuito de ampliar os horizontes de percepção para as idas aos teatros que aconteceram logo em seguida. Posteriormente os mesmo profissionais retornaram às escolas para uma avaliação com os alunos das experiências vivenciadas.

 

13 oficinas com carga horária de 277 horas foram frequentadas por 189 alunos e profissionais das artes cênicas. 2 das oficinas aconteceram nos centros de reclusão femininos, Centro de Regime Semi Aberto Feminino de Curitiba e na Penitenciária Madre Pelletir em Porto Alegre para 34 mulheres. 10 encontros entre 24 grupos mineiros e dos 3 estados por onde passou a caravana contribuíram para  as trocas de experiências sobre seus processos criativos , referências estáticas e modos de produção.

 

O FTB teve 5 núcleos de produção gerando 291 empregos diretos. Além de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul com 115 pessoas, outros 2 núcleos, um em Brasília e outro em Belo Horizonte geraram outros 20 empregos temporários. Foram 156 artistas e técnicos mineiros que participaram  da caravana.

 

Em 2012, o FTB contou com duas novidades, a realização da inédita Cena Gaúcha e da também inédita versão voltada para o segmento de rua. Na ocasião, da Cena Gaúcha, Brasília, Taguatinga, Gama, Ceilândia, Goiânia, Hidrolândia, Anápolis e Cidade do Goiás receberam um total de 78 apresentações para um público superior a 56 mil pessoas com o patrocínio da Petrobras. Outro aspecto inovador foi o envolvimento das universidades federais do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul, onde o festival promoveu importantes trocas no âmbito acadêmico.

 

A décima terceira edição do Festival realizou no Distrito Federal importantes ações que contribuíram com a visibilidade e discussão em torno de ações teatrais voltadas para rua, fossem elas tradicionais ou experimentais. O ponto alto do festival nesta ocasião foi a realização do cortejo cultural dirigido pelo renomado diretor Hugo Rodas, celebrando as artes na rua, durante as comemorações do dia da independência do Brasil. Com um público estimado em 35 mil pessoas e a presença dos principais governantes do país, o destaque para a cultura comoveu a todos.

 

A aproximação cultural proposta pelo FTB entre os diferentes estados gerou momentos de reflexão sobre o quanto é importante essa integração. Os resultados conquistados, afiançados pelos depoimentos dos artistas, público, classe teatral e crítica especializada confirmam a disposição para a troca de experiências proposta pelo Festival. O Festival do Teatro Brasileiro na sua décima quarta edição contribui para estreitar laços, fortalecer a rede de relações da cena teatral brasileira. O FTB demonstra ser uma importante ação de complementação de política cultural aproximando os estados brasileiros e contribuindo efetivamente para a circulação das artes cênicas no Brasil!